IGREJA BATISTA BIBLICA em Valparaíso
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Estudos e Mensagens

NO PASSO DAS CRIANÇAS
Gn. 33: 1-20


Introdução: A história de Jacó é bem interessante porque retrata a história de muita gente nesta terra. Ele era irmão gêmeo de Esaú, porém tanto no aspecto físico quanto no comportamental, era muito diferente dele. No aspecto físico a Bíblia retrata Esaú como ruivo e bem peludo, enquanto Jacó era liso. Com relação ao comportamento, a Bíblia retrata Esaú como “perito na caça, homem do campo, e Jacó como um homem simples que habitava em tenda”, ou seja, era uma pessoa que não apreciava de sair de casa. Os dois cresceram e, em dois determinados episódios da vida de ambos, o relacionamento pacífico que até então existia entre eles, se deteriorou e por pouco não terminou em tragédia. Num desses momentos, Jacó usou de esperteza e negociou a primogenitura de Esaú por um prato de sopa e, noutro, ele usurpou a bênção de Abraão que seria transmitida por Isaque seu pai a Esaú. Motivo pelo qual ele teve de fugir para Padã-Arã, na Mesopotâmia, para a casa do seu tio Labão, onde ficou por cerca de vinte anos. O texto relata o retorno de Jacó para a Palestina.

1. Antes do encontro com Esaú (Gn. 32: 22-31). O encontro com seu irmão Esaú se aproximava e agora não dava mais para evitá-lo. Então as vozes e temores do passado da vida de Jacó agora se avolumaram e ele recorreu ao único refúgio que lhe restava: os braços eternos de Deus, que sempre abrigam aqueles que Lhe procuram.

2. Preparativos para o encontro (vs. 1-3). Os velhos costumes numa nova natureza. Todas as pessoas vêm de ambientes culturais e religiosos diferentes do cristão e, como Jacó, precisam aprender a viver de acordo com os padrões bíblicos. A conversão não vai mudar os costumes, a visão de mundo e os modos de vida do novo convertido automaticamente. Por isso é que Igreja existe: para formar cristãos autênticos instruídos na Palavra de Deus.

3. O encontro (vs. 4). Jacó ainda carrega o peso da culpa do que fez a Esaú no passado. Ele sabia que não tinha sido honesto com seu irmão e agora, cerca de vinte anos depois, teria que olhar nos olhos dele. Nada deixa alguém mais desconcertado do que ter de admitir para si mesmo que foi desonesto com aquele que confiava nele. As desculpas pululam. Todavia, a hora da verdade chegou para Jacó e ele não consegue se sentir à vontade na presença do seu irmão. Enquanto Esaú o chama de “meu irmão”, Jacó só pode prostrar-se sete vezes diante dele e chamá-lo de “meu senhor”. Ele não consegue se achar digno de chamar de irmão aquele que ele tão friamente traiu.

4. “De que te serve todo este bando que tenho encontrado” (vs. 5-9)? Em outras palavras, Esaú está dizendo: “Todo este bando que encontrei não serviriam para eu vingar a minha honra, se quisesse”. “De que te serve todo este bando? A mim não serve de nada, pois eu tenho muito mais que isso”.

  • Uma preocupação desnecessária. Toda inquietação era desnecessária naquele momento, por que Deus já trabalhara na vida de Esaú de dois modos: (I) concedendo-lhe muitos bens a ponto dele não precisar se importar com o seu direito de primogenitura tomado por Jacó e, (II), trabalhando no coração de Esaú para que ele ficasse enternecido ao reencontrar seu irmão. Deus trabalha poderosamente no silêncio. Por isso não nos aflijamos por nada.

  • Não fique inquieto por nada. Jesus nos ensinou a não vivermos ansiosos por nada, mas procurar o Seu reino antes de qualquer outra coisa.

5. Uma mudança radical (vs. 10, 11). Quando Jacó percebe que todas as coisas que ele temia tinham se encaixado perfeitamente, seu coração começa a extravasar de reconhecimento a Deus, ao Seu cuidado e ao Seu poder de reverter situações impossíveis. Então toda a sua conversa é de agradecimento a Deus pelas Suas bênçãos.

  • Tudo o que eu sou e o que tenho foi me dado graciosamente por Deus (vs. 5, 11). Agora os filhos foram uma dádiva de Deus e os bens foram outra graça alcançada do Senhor, não apenas por causa do seu trabalho e capacidade para alcançar riquezas.

  • “Vi o teu rosto, como se tivesse visto o rosto de Deus” (vs. 10b). Jacó já não olhava com desconfiança para as pessoas, mas com um grau de importância muito elevado: “como se fossem procedentes de Deus”, como deve ser.

  • “Tomaste contentamento em mim” (vs. 10c). Fazia muitos anos que Jacó não se sentia aceito e querido: (I) fugiu da casa dos pais, onde era amado apenas pela mãe e foi (II) agregar-se à família do seu tio, de onde saiu fugido. (III) Agora ele percebe que é aceito exatamente pela pessoa que ele mais temia: Esaú, seu irmão. Como é bom se sentir querido. É assim que Jesus faz com aqueles que se chegam a Ele.

  • “No passo do gado e dos meninos” (vs. 14). Essa frase nos mostra uma mudança radical em Esaú: ele agora consegue ser solidário com os mais fracos. Antes, quem pudesse que o seguisse. Agora ele é capaz de pensar nos outros e sentir-lhes a fragilidade. Deixar o seu mundo pessoal para se preocupar com quem dependia dele.

Conclusão: Jacó, seguindo seus meninos e o gado, chega em segurança na cidade de Siquém, onde se instala e, em vez de se apossar de alguma terra, compra o campo onde vai fixar residência e faz uma coisa que nunca tinha feito antes: “E levantou ali um altar e chamou-lhe Deus, o Deus de Israel” (vs. 20). Seu avô Abraão sempre que chegava a um lugar para morar, construía um altar ao Senhor como testemunho da sua fé. Agora o seu neto Jacó depois do seu encontro com Deus em Peniel, segue-lhe os passos. Sim, sua vida fora tocada por Deus e tudo na sua vida agora era novo (II Co. 5: 17).


IBB Valparaíso, 26 de maio de 2010.
Pr. Paulo Guedes Soares.

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