A SEGURANÇA DO CRENTE - Lc. 22: 31-34
Introdução:
O hino 324 do nosso Cantor Cristão começa declarando: “Seguro estou não tenho temor do mal, sim guardado pela fé em meu Jesus”. Seguro é o indivíduo que sabe com certeza que está livre de perigos e de riscos, porque tem plena consciência de que é protegido e guardado por Deus; é aquele que sabe que a sua vida está garantida por causa da intermediação de Cristo, por isso torna-se isento de receios quanto ao seu presente e ao seu futuro. É corajoso e sequer pensa em vacilar na sua fé em Deus; ao contrário, é firme, convicto e confiante. O texto lido nos ensina sobre estes importantes assuntos. Aqui vemos a fraqueza humana contrastando com a segurança concedida por Deus. Analisemos o texto e deixemos o Senhor nos ensinar a Sua vontade.
1. A realidade do mundo espiritual (vs. 31). Nem Pedro nem os demais discípulos sabiam da guerra espiritual que estava se travando nas regiões celestiais naqueles momentos que antecediam a morte do Senhor. Jesus adverte a Pedro que satanás pedira permissão a Deus para “cirandá-los como trigo” e fazê-los definhar na fé. As provações vindas de Deus têm o objetivo de fortalecer a fé e a intimidade do crente com Ele (Ex.: Abraão no monte Moriá). As tentações – que sempre provêem do diabo – tem como objetivo enfraquecer a fé e a confiança do crente em Deus. Naquele momento da vida dos discípulos era muito fácil isso acontecer em razão da decepção e falta de conhecimento deles a respeito da Pessoa e da obra do Messias (Mc. 9: 9, 10; Os. 4: 6).
2. A realidade da intercessão de Cristo pelos crentes (vs. 32). Jesus, quando percebe o que se passa no mundo espiritual põe-se a interceder pelo Seu discípulo “para que a tua fé não desfaleça”. Jesus intercede por Pedro e depois o comissiona, mostrando que sabe perfeitamente que está lidando com um ser humano comum e normal exposto às tentações, como todos os demais (Sl. 103: 14). Essa é a maravilha da graça do Senhor sobre nós: Ele nos ama e nos protege, mesmo quando não temos consciência da Sua ação.
a) O Senhor conhecia profundamente Pedro, como conhece cada um de nós, com todas as nossas capacidades, incapacidades e tendências.
b) O Senhor conhece o temperamento com o qual ele nos criou. Pedro era sangüíneo. João, Tiago e Paulo eram coléricos. Jesus sabia como tratar com cada um deles e modificá-los para que eles se tornassem aptos a serem servos.
c) Mas o que fica registrado é a intercessão de Jesus pelos Seus (Jo. 17: 9, 14-21; Hb. 7: 25; 4: 14-16).
3. A fé baseada na segurança humana (vs. 33). Pedro, como todas as pessoas, especialmente aquelas que têm uma vivência longa na fé e já passaram por muitas provações, podem imaginar que jamais vacilariam, e correm um sério risco de deixar de depender do Senhor. Pedro pensava que estava pronto para enfrentar qualquer provação sem correr o risco de fracassar, porque tinha consciência do amor e do respeito que nutria pelo Mestre. O que ele ainda não sabia é que as tentações têm origem num mundo sobre o qual não temos domínio e, portanto, não podemos prever como será ataque (Ef. 6: 10-13). Por desconhecer isso ele pensou que poderia se manter firme diante do que estava por vir.
4. A conseqüência da fé humana diante de dificuldades: negação de Cristo (vs. 34). Pedro teve um momento específico da sua vida quando ele negou Jesus. Quando é que também negamos ao Senhor?
a) Negamos Jesus quando, como Pedro, dizemos que não O conhecemos. Muitas vezes dizemos que não falamos de Cristo por não conhecer nada a Seu respeito, mesmo quando pertencemos à Igreja há muito tempo.
b) Negamos Jesus em razão de um testemunho pessoal inadequado. Outras vezes, dizemos e demonstramos que conhecemos muito da Sua Pessoa e obra, mas o nosso comportamento é inadequado.
c) Negamos Jesus quando Ele não é a nossa prioridade. Possivelmente seja uma das atitudes que mais ferem o bondoso coração do Senhor, quando O deixamos sempre para depois em nossas prioridades.
d) Negamos Jesus quando resistimos à Sua vontade de nos engajarmos de corpo e alma à Sua causa. Jesus nos ensinou que quando orarmos devemos pedir ao Pai “que o Seu reino venha”. Porém, a nossa oração parece contrária a esse Seu desejo (Mt. 28: 19).
e) Negamos Jesus quando não submetemos nossas vidas ao Seu senhorio. É muito importante para Jesus que estabeleçamos claramente quem é o nosso senhor: Ele, ou nós mesmos? Quem governa a nossa vida, nossos objetivos: Ele, ou nós?
Conclusão:O Senhor Jesus quer sempre se mostrar presente nas nossas vidas. Seja naquele momento que Ele se revela como o nosso Salvador, seja nos momentos subseqüentes à salvação, quando Ele se apresenta como Aquele que nos guarda, nos ampara e intercede por nós. Ele faz tudo para que nos sintamos completamente seguros nesta vida e caminhemos de cabeça erguida rumo ao nosso porto seguro. Que jamais duvidemos do Seu cuidado e da Sua intercessão para nos conceder toda a segurança possível.
IBB Valparaíso, 08 de fevereiro de 2010.
Pr. Paulo Guedes Soares.
www.ibbv.org.br